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Infográfico da Token Economy: Banco Central autoriza 24 instituições financeiras para operar com criptoativos no Brasil. O BC também divulgou 120 pedidos de autorização de empresas que buscam atuar no setor. Em destaque: 24 instituições já enquadradas para operar com criptoativos; 120 pedidos de autorização (SPSAVs); das 24, 8 com custódia e intermediação e 16 somente intermediação. O que significa: a entrada definitiva de grandes bancos no mercado de ativos digitais e o avanço da infraestrutura que conecta cripto, pagamentos, custódia e tokenização no Brasil. Ao lado, a fachada de um edifício com o nome Banco Central do Brasil.
Imagem ilustrativa.

Banco Central coloca 24 instituições financeiras no mercado regulado de criptoativos e divulga 120 pedidos de autorização

A nova fase da regulamentação brasileira aproxima bancos tradicionais, fintechs e empresas de criptoativos. Movimento sinaliza uma transformação estrutural na infraestrutura financeira do país.

O mercado brasileiro de ativos digitais acaba de dar um passo importante em sua consolidação regulatória.

Nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, o Banco Central do Brasil divulgou uma relação com 24 instituições financeiras enquadradas para prestar serviços relacionados a ativos virtuais, incluindo alguns dos maiores bancos do país.

Entre os nomes estão Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, BTG Pactual e Banco Safra.

A relação contempla instituições que já possuem autorização de funcionamento do Banco Central e que seguem um procedimento regulatório específico para atuar com ativos virtuais, conforme a Resolução BCB nº 520/2025.

Das 24 instituições, oito estão enquadradas nas modalidades de custódia e intermediação, enquanto outras 16 aparecem na modalidade de intermediação.

Mas essa não foi a única movimentação relevante do dia.

O Banco Central também divulgou a relação das empresas que solicitaram autorização específica para atuar como Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAVs). São 120 registros, dos quais 119 estão em análise e um foi indeferido.

É importante distinguir os dois grupos: as 24 instituições seguem um enquadramento próprio, enquanto os 120 registros representam pedidos de autorização ainda sujeitos à análise regulatória.

O sistema financeiro tradicional entra definitivamente no jogo

A presença de grandes bancos na relação do Banco Central demonstra que os ativos digitais deixaram de ser um mercado restrito às exchanges e empresas especializadas em criptomoedas.

Instituições financeiras tradicionais passam a integrar, de maneira cada vez mais estruturada, a infraestrutura de serviços envolvendo ativos virtuais.

Esse movimento pode acelerar o desenvolvimento de novos produtos financeiros, incluindo:

  • Compra e venda de criptoativos por instituições financeiras.
  • Serviços de custódia institucional.
  • Integração entre sistemas bancários e infraestrutura blockchain.
  • Soluções de pagamentos com ativos digitais.
  • Operações de câmbio e liquidação envolvendo ativos virtuais.
  • Desenvolvimento de produtos financeiros tokenizados.

A presença na relação, entretanto, não significa que todas essas instituições já ofereçam esses produtos aos seus clientes. A implementação depende das respectivas estruturas operacionais e do cumprimento das exigências regulatórias.

120 pedidos: o tamanho do interesse pelo mercado brasileiro

A divulgação dos 120 registros de autorização também oferece uma dimensão importante do interesse das empresas em permanecer ou ingressar no mercado brasileiro sob as novas regras.

O universo envolve empresas especializadas em criptoativos, intermediários e outros participantes que buscam enquadramento regulatório para suas atividades.

Entre as empresas que movimentam esse mercado estão nomes como Binance, Mercado Bitcoin, Coinbase, OKX, Bybit, Bitget, Foxbit e Transfero, entre outros participantes do ecossistema.

É importante ressaltar que a presença de uma empresa na relação de pedidos não significa autorização concedida. Os processos ainda precisam passar pela avaliação do Banco Central.

O que muda com a regulamentação?

A Resolução BCB nº 520/2025 estabelece requisitos para a prestação de serviços de ativos virtuais no Brasil.

A regulamentação busca ampliar a segurança operacional, fortalecer a governança, estabelecer responsabilidades sobre custódia e intermediação e aumentar a transparência das operações.

Outro ponto relevante é a relação entre as prestadoras de serviços de ativos virtuais e o sistema financeiro tradicional.

A partir de 6 de novembro, entram em vigor restrições ao relacionamento de instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central com prestadoras não autorizadas, observadas as regras de transição e as exceções previstas na regulamentação.

Na prática, o acesso à infraestrutura bancária passa a depender cada vez mais do enquadramento regulatório dos participantes.

Isso representa uma mudança importante para empresas que construíram seus negócios em um ambiente de menor integração com o sistema financeiro tradicional.

A próxima fronteira: tokenização e infraestrutura financeira

Para além do mercado de criptomoedas, a regulamentação abre uma discussão ainda maior: a transformação da infraestrutura financeira brasileira.

A tokenização de ativos reais, recebíveis, participações societárias, instrumentos de crédito e outros direitos econômicos depende de uma infraestrutura capaz de conectar tecnologia, governança, custódia, pagamentos e regulação.

Nesse contexto, blockchain deixa de ser apenas uma tecnologia associada às criptomoedas e passa a fazer parte de uma discussão estratégica sobre a evolução dos serviços financeiros.

O Brasil tem condições de ocupar uma posição relevante nesse processo, especialmente pela maturidade de seu sistema de pagamentos, pela evolução do mercado de capitais e pelo avanço de sua estrutura regulatória.

A aproximação entre bancos, fintechs, empresas de tecnologia e prestadores de serviços de ativos virtuais pode acelerar o desenvolvimento de novos modelos de negócio.

O que observar daqui para frente?

A publicação das duas relações representa um marco, mas não encerra o processo de transformação do setor.

Os próximos movimentos merecem atenção:

  1. Autorizações definitivas: acompanhar a análise dos 119 pedidos ainda em exame.
  2. Novos produtos bancários: observar quais instituições transformarão seu enquadramento regulatório em serviços efetivamente disponíveis.
  3. Custódia institucional: acompanhar o desenvolvimento de soluções de segurança e guarda de ativos digitais.
  4. Integração financeira: observar como bancos e prestadores de serviços de ativos virtuais construirão suas parcerias.
  5. Tokenização: acompanhar a expansão dos modelos de emissão, distribuição, negociação e liquidação de ativos tokenizados.

O mercado entra em uma nova etapa. A discussão deixa de ser apenas sobre quem oferece criptomoedas e passa a envolver quem controla, conecta e opera a infraestrutura financeira da próxima geração.

A pergunta agora não é mais se os ativos digitais farão parte do sistema financeiro brasileiro. É quem estará preparado para construir e operar essa nova infraestrutura.

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